9 de setembro de 2010
 
COLUNAS
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A pilotagem em situação de risco
14/7/2009 16:54:12

Desde a criação do veículo mais pesado que o ar que a pilotagem em situação de risco pouco mudou. Antigamente eram máquinas voadoras sem os recursos da era moderna, em contrapartida, quase nada se exigia daqueles arrojados pioneiros em termos de distâncias a serem cumpridas e as responsabilidades do transportador atual. Nesse sentido também, a maneira de se enfrentar uma situação adversa dentro da cabine de pilotagem sofreu mudanças basicamente em função do novo, como quando se necessitava adentrar no conhecimento aeronáutico a exemplo da primeira experiência em se pilotar após passada a barreira do som. Nesse sentido, os princípios do risco seguem um fundamento bastante simples: o risco só ocorre quando se deseja avançar em uma área desconhecida ou então quando estamos despreparados para aquilo que de incomum ocorre em nosso dia-a-dia. Vejamos: na primeira situação, quando o piloto faz uma viagem a uma área desconhecida como certas regiões do garimpo ou da selva, o risco é bastante grande, pois não se conhece a rampa ideal de descida para se superar os obstáculos, não se conhece o comprimento da pista (que pista?) para se calcular o procedimento ideal de pouso e muito menos a área de escape que normalmente nessas situações é zero.  Na segunda situação, que é a mais comum, o despreparo é o maior causador do risco. Vejamos o caso freqüente de um pouso em condições adversas: o despreparo pode levar o piloto a errar no procedimento e as conseqüências podem vir a ser desastrosas.  A comprovação dessa segunda situação - o despreparo - explica a razão pela qual a aviação leve sofre muito mais acidentes que a aviação comercial: os pilotos das linhas aéreas exercitam continuamente nos simuladores todas as adversidades possíveis que possam vir a ocorrer em voo. Tal controle na aviação leve depende muito mais do bom senso do proprietário que muitas vezes é o próprio piloto. Nessas duas situações, no entanto, vemos uma falha comum: a falta do planejamento.  Planejamento é uma palavra que está intimamente ligada a outra que nossa cultura latina não aceita muito bem: a disciplina. Agora caro leitor, você compreende a razão de possuirmos um dos maiores índices de acidentes de trânsito do mundo, contrapondo com um baixíssimo índice de acidentes aeronáuticos, similar ao dos países mais desenvolvidos, em razão exatamente do conceito de responsabilidade que se desenvolve desde cedo no aluno-piloto. Aliás, essa era a principal razão pela qual até há pouco tempo, com apenas 16 anos, um jovem ou uma jovem já podia ser piloto: pela assimilação da enorme responsabilidade que se adquiria quando se ingressava no mundo da pilotagem de um avião. Então meu caro ou minha cara comandante, em situação de crise, deve-se manter a calma até o último instante, pois se alguma chance houver de se sair de uma determinada situação difícil, ela só ocorrerá se você mantiver a calma. O que sinto dizer, é que o planejamento, tanto na aviação como no mundo dos negócios ou até em sua própria vida pessoal, pode substituir e em muito, as habilidades de um super-herói. Claro que o empreendedor é um homem de risco, mas veja os empreendedores de sucesso e verá que eles planejavam muito bem as suas ações.


Medo de subir no avião?
20/1/2009 18:59:36
 Mesmo para aqueles acostumados à rotina dos vôos comerciais, sempre irá existir um pequeno “friozinho na barriga” em determinado momento do vôo. O que dizer então quando o pensamento começa a fugir de nosso controle e em poucos instantes uma série de idéias negativas toma conta de nossa cabeça e já nos vemos com a certeza de que algo irá ocorrer com aquele avião? Bem que poderia passar esse bilhete para outro, ou melhor, posso dizer que passei muito mal da gripe, aliás uma desculpa bem usual.

Enfim, esse medo, às vezes, até aterrorizante que toma conta de nós quando estamos certos de que temos que fazer aquela determinada viagem. O que é isso? As estatísticas provam que o avião é um dos meios de transporte mais seguros que existe.  A resposta está, paradoxalmente, ligada a uma das maravilhas de nossa mente, chamada de “mecanismos de defesa” e que tem a finalidade de fazer a nossa mente suportar melhor algum trauma ou algo mal resolvido de nossa infância, justamente quando dos zero aos seis anos de idade, aproximadamente, estamos formando a nossa personalidade.

Tecnicamente isso é chamado de “fobia”, mas o leitor não precisa se preocupar com esse nome: a fobia é um dos inúmeros processos que a nossa mente dispõe para poder conduzir o seu dono por esse mundo complexo no qual vivemos, cheio de exigências, pressões, competitividades e logicamente o resultado de tudo isso: a angústia. Esses mecanismos da mente, como a fobia, fazem parte de um rol de ferramentas conhecidos dentro da classificação de neurose e para que fiquemos tranqüilos quanto à essa classificação, a neurose é o cabedal de instrumentos de que dispomos para seguirmos adiante nesse nosso dia a dia tão complexo. Por circunstâncias que não nos cabe discutir aqui, diferentemente das aeronaves, quando nascemos não nos acompanha um “manual de instruções”. É a formação dada pelos pais e pelo meio em que vivemos que determinará o grau de sucesso ou de felicidade de cada um.

Mas já que o assunto é medo de avião, falemos um pouco mais desse temor e sua origem. Em algum momento de nossa infância, ao passarmos por um medo muito intenso ou um trauma muito forte ou ainda uma perda muito importante, pode ser que as condições de amparo àquele trauma naquele determinado instante, não foram suficientes para, devido à dor, estabilizar o nosso processo emocional. Então, essa energia a mais que o meio na qual vivíamos naquele momento, não deu conta, deverá ser administrado pelo nosso mecanismo mental, basicamente o ego e o superego.

De que forma?  Em primeiro lugar, trabalhando o que sobrou daquele trauma de forma separada, justamente para permitir que o indivíduo possa continuar sua vida sem se recordar a todo instante daquele trauma. Ou seja: é um processo inconsciente. Não nos apercebemos dele. Porém, como qualquer energia negativa não pode ficar armazenada em nosso cérebro, então esses mecanismos irão buscar algo para que esse residual do trauma se incorpore a algo que não faça relação direta com o trauma e vai encontrá-lo em nosso arquivo mental com algo de nossa lembrança, mas que tenha somente alguma pequena ligação com o fato. Assim, se evita que aquilo que havia sido muito doloroso lá atrás, se recorde a todo instante. Em resumo: Para evitar que venhamos a sofrer com algum trauma mal resolvido do passado, a mente, para aliviar o sofrimento de seu dono, busca por meio de “coisas absurdas” torná-las como fiel depositária daquele trauma, agora já transformado em fobia.

E por que “coisas absurdas”?  Justamente porque, entende aquela mente, essa coisa absurda pouco irá ocorrer, como é o medo de andar de avião, algo tecnicamente reconhecido como extremamente seguro. Essa explicação de forma simples, pretende dar ao leitor uma maior tranqüilidade na próxima vez que tiver de subir em um avião e se desejar um maior crescimento interno, procure um profissional da área que ele irá, juntamente com seu apoio meu caro comandante, fragmentar esse trauma e propiciar-lhe mais qualidade de vida para o futuro.

A Recuperação de uma aeronave
20/1/2009 18:40:40
 Para nós, é desolador e triste assistirmos à cena daquele avião acidentado, ao fundo de um hangar, com suas asas desmontadas e amassadas, a fuselagem retorcida e tristemente coberta de pó. Não podemos imaginar, porém, o que uma oficina homologada e o trabalho de um engenheiro aeronáutico especializado em estruturas com a sua equipe possam fazer com todos aqueles metais sujos e retorcidos. O resultado será uma aeronave nova, reluzente, com seus motores roncando macios, porém firmes, passando velozmente em frente ao hangar, em seu primeiro vôo após a recuperação total.

Assim somos nós em certas etapas de nossas vidas quando passamos por momentos muito difíceis. Nessas etapas, sentimo-nos derrotados e impotentes diante de um mundo extremamente duro e aparentemente impiedoso. Sentimo-nos completamente isolados “no fundo de um hangar”, alvo de comentários de pena das pessoas com espírito cooperativo ou de reprovação daqueles que só conhecem a crítica como o caminho mais fácil. 

Ocorre que para que possamos voltar a voar serenos e firmes pelos céus desta vida afora, o engenheiro que comandará a recuperação dessa complexa e fantástica máquina humana poderá ser ninguém nem mais nem menos do que o próprio leitor. Quer saber como?

Em primeiro lugar, da mesma forma que o engenheiro responsável pelo processo da recuperação de uma aeronave, é muito importante cuidarmos do planejamento. E como em uma navegação, ao se alcançarem as primeiras referências indicando que o planejamento está correto, isso trará um renovado ânimo para seguir conquistando as novas referências. E isso é o que vai trazer o entusiasmo necessário para esse progresso. Então vamos lá? Nessa folha de papel em branco, no cabeçalho crie o título “Recuperação” e logo abaixo a data. Inicie colocando do lado esquerdo da folha todas as suas realizações pessoais, desde menino (a). Vale tudo... Não importa o tipo. Pode ser até aquele detalhe pessoal que hoje você hesitaria em colocar como uma vitória, mas que naquele momento longínquo lhe trouxe enorme satisfação interior. Se você ainda estiver céptico, coloque somente as realizações e as coisas boas que de alguma forma têm relação com esse problema atual. Agora, coloque na coluna do lado direito o que acontece para que você se sinta nessa situação desoladora de hoje. Coloque em palavras curtas como, por exemplo, a falência financeira ou o abandono da (o) companheira (o).

Agora, passe uma linha abaixo das duas colunas. Você verá quantas realizações e alegrias você obteve na vida em comparação a um só item negativo. Poderá ser desastroso, mas é somente um item. Agora vamos à solução:

Escreva abaixo dessa linha que você acabou de traçar, a frase “Como realizarei essa solução” e feche passando uma nova linha abaixo dessa frase.  Agora, comece a escrever em uma nova coluna à esquerda, com o título “Ações”, as decisões que você irá tomar imediatamente após terminar de escrever esta folha. Frases curtas como, “ligar para o gerente do banco” ou “renegociar aquela dívida”. Enfim, você deverá escrever aquelas coisas que já vinham aparecendo em sua mente. Do lado direito, em uma outra coluna que você a classificará como “Resultados”, passe a escrever as coisas boas que irão ocorrer com você após essas ações.

Você verá surpreso o progresso das ações e como as soluções surgem rapidamente. Você verá ainda que essas ações que foram anotadas exigirão mudanças. Por isso, você deverá repassá-las mais de uma vez. Com certeza, você eliminará algumas dessas ações, mas em cada nova passada você se convencerá cada vez mais da necessidade dessas mudanças em função daquilo que lhe aguarda em sua nova vida futura. Esse esperado momento já estará sendo delineado, sem que você perceba, nessa coluna do lado direito, a dos “resultados”.
Qual o segredo disso tudo? É bastante simples: vivemos toda uma vida de uma mesma maneira. Esses hábitos não nos deixam enxergar as mudanças que ocorrem ao nosso redor, não tomamos o devido cuidado com certas situações em que nos metemos e vamos afundando cada vez mais, só para atendermos às nossas necessidades internas (que às vezes são boicotes) ou às coisas mal resolvidas do passado (o que passou, passou!) ou ainda, aos desejos que estão fora da realidade atual.

Essa folha que você acabou de preencher servirá como um guia para a sua recuperação da mesma forma como, fria e seguramente, o engenheiro projeta a recuperação de uma aeronave.  Em certas etapas das decisões, haverá dificuldades. Não desanime: São os percalços normais de qualquer processo. Releia a sua folha e siga adiante. Se está difícil, veja o exemplo no site: www.contextosistemico.com.br. Você verá como breve a sua recuperação se efetiva rápida e seguramente, como a firme subida de uma aeronave após a corrida de decolagem.
Depois, bem... Depois, já nivelado, manetes ajustadas, vôo estabilizado, você se recordará desses momentos difíceis e com certeza pensará quão importante teria sido ter tomado essas decisões antes! Bons vôos minha cara ou meu caro comandante!


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