9 de setembro de 2010
 
O show deve continuar
7/5/2009 17:15:11 - Por Sérgio Tauhata | Aviação em Revista




O vice-presidente executivo da Abag faz um balanço dos efeitos da crise e das expectativas em relação à Labace 2009

Mal assumiu a vice-presidência executiva da Abag (Associação Brasileira de Aviação Geral) no segundo semestre do ano passado e Ricardo Nogueira está tendo de lidar com um dos momentos mais difíceis para o setor na última década. A globalização da crise econômica norte-americana atingiu com força o mercado aeronáutico no exterior e seus efeitos já começam a se refletir no país. Em meio a esse turbilhão, a Abag tem a complexa missão de organizar a principal feira brasileira de aviação geral, marcada para o período de 13 a 15 de agosto. Apesar da retração da demanda, o dirigente, que exibe no currículo 29 anos de experiência no Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), acredita na força do evento como espaço de alavancagem de negócios. “A Labace 2009 já está acontecendo”, afirma Nogueira e acrescenta: “durante os momentos de crise, a exposição acaba se tornando ainda mais importante para que o mercado possa continuar a manter o nível de vendas”.

Aviação em Revista - A crise global tem afetado diretamente empresas exportadoras, como a Embraer. Dentro desse perfil, o mercado interno de aviação pode sofrer menos com a queda de demanda? Há possibilidade de haver crescimento em algum setor (offshore ou carga, por exemplo)?
Ricardo Nogueira - Essa crise teve endereço certo ao iniciar, mas se alastrou como um vírus incontrolável, afetando todos os setores produtivos. E a aviação geral, nos seus variados segmentos, infelizmente, não ficou de fora. No segmento offshore, em face da sua condição particular, não tenho recebido notícias de redução de demanda. No segmento de cargas, ao contrário, a retração dos negócios em geral implicou numa redução considerável. Crescimento? Somente quando a crise for dominada e as ações levadas a cabo por governos e setores produtivos começarem a fazer efeitos.

AR - Qual o tamanho da crise para a aviação geral?
RN - Renomados especialistas em economia têm opiniões conflitantes em relação a uma estimativa de duração da atual crise. Na verdade, muitos são os fatores que influenciam uma retomada do crescimento. No setor de aviação executiva, as estimativas para 2009 não são otimistas. Devido às turbulências, no calendário internacional, várias feiras vêm sendo canceladas, como a Abace (Asian Business Aviation Convention & Exhibition) e a LBA (Light Business Airplane Conference), em San Diego, nos Estados Unidos. E representantes do setor de táxi aéreo norte-americano com quem temos conversado afirmam que a queda no movimento se situa entre alarmantes 40% a 60%.

AR - Há problemas de crédito para financiamento de aeronaves? Como o mercado vem conseguindo se estabilizar?
RN - Na verdade não há problemas de crédito nesse mercado. O que rapidamente aconteceu foi uma maior exigência por parte dos financiadores. E também um temor muito grande por parte do tomador do financiamento face à neblina que pairou sobre o mercado e às dúvidas sobre suas possibilidades de honrar compromissos assumidos.

AR - O mercado de helicópteros é menos sensível às turbulências atuais?
RN - Não. Esse mercado também experimentou sua redução e aparentemente nos mesmos índices do mercado de aviões. Como a projeção de crescimento, no meio do ano passado, para o mercado de helicópteros era maior do que o de aeronaves, o que sobrou é melhor do que a de aviões.

AR - O que o governo pode fazer para estimular o mercado interno?
RN - O governo tem tentado ajudar os setores produtivos, a partir de ações isoladas, como, por exemplo, a redução do IPI no setor automotivo. No caso da aviação, não vejo como estimular o mercado sem haver uma melhoria geral da economia.
 
AR - Quais as estimativas de negócios para a próxima Labace?
RN - Após a edição anterior, fizemos projeções de cerca de 20% para a Labace 2009. Temos agora que analisar nossas projeções de maneira a adequar nossas estimativas em função da nova situação do mercado. Com certeza, ajustes serão feitos. Mas a feira vai ser maior que a do ano passado, que movimentou 340 milhões de dólares em negócios. É só uma questão de sabermos o quanto vai crescer.

AR - Há novidades em termos de expositores?
RN - Os maiores fornecedores e prestadores de serviços aeronáuticos já estão com contratos firmados. Há a possibilidade de fecharmos uma parceria e fazermos o lançamento de duas aeronaves na Labace 2009. Ainda estamos negociando como isso poderá ser feito.

AR - Poderia nos adiantar alguma novidade da exposição?
RN - A grande novidade seria o lançamento que eu citei. É uma empresa canadense que ainda não tem representação no Brasil pode fazer sua estréia na feira. Mas gostaria de ratificar que a Labace 2009 é uma realidade e que será nos moldes das anteriores, com as melhorias inerentes ao aperfeiçoamento do modelo de gestão, sempre renovado. A feira já está acontecendo. Temos tido mais confirmações nestes primeiros meses do ano do que no mesmo período de 2008. Até março último, 70% dos grandes expositores já haviam fechado a participação. A Labace 2009 vai ocorrer no mesmo local do ano passado, no antigo hangar da Vasp, em Congonhas, na capital paulista.


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