Testamos o voo da Copa Airlines de Guarulhos (SP) até o Hub de las Américas, no Panamá, uma ótima opção para viajar ao Caribe
Quando pisei no saguão do aeroporto de Guarulhos (SP), onde embarcaria rumo à Cidade do Panamá no voo CM758 da Copa Airlines, estava conformado em passar a noite em claro. O horário de embarque era implacável: 4h40. E, como por segurança é bom chegar com duas horas de antecedência, minhas horas de sono seriam mínimas. Os balcões da Copa ficam na Asa D do Terminal 2. No dia do embarque, o check-in abriu à 1h30 e a fila andou a sonolentos passos de madrugada. Na fila, muitos brasileiros com destino ao Caribe – principalmente casais em lua-de-mel e jogadores de golfe – e latino-americanos de todos os lugares. A maior parte dos passageiros aparentemente usaria o Panamá apenas como ponto de conexão para algum outro país, aproveitando as diversas possibilidades do Aeroporto Internacional de Tocumén, conhecido como o Hub de las Américas (Concentrador das Américas, em uma tradução livre).
No check-in, o atendente, em espanhol, além do passaporte, conferia o Cartão de Vacinação Internacional. A vacina contra febre-amarela é obrigatória para entrar no Panamá (mesmo para quem está apenas em trânsito). Sem o cartão, o embarque não é aceito. O rigor da companhia deixou alguns desavisados literalmente aos prantos no balcão, ao perceber que viagem (muitas vezes seu sonho) tinha se desfeito devido a um descuido. O check-in foi feito todo em espanhol. Para quem não domina a língua pode ser embaraçoso. Mas também não há mistério. Com os documentos em mãos, o idioma pode ser o russo que não tem como não embarcar.
Como o avião já estava na pista, perto das 4h deu-se início ao embarque. Nessa linha, a Copa voa com um de seus Boeing 737-700 Next Generation. Tanto a classe executiva, com 12 lugares, quanto a econômica, com 108, estavam lotadas. Às 4h30 em ponto, ou seja, dez minutos antes do previsto, o avião decolou.
Endurecer, mas sem perder a ternura
Pelo horário, era de se esperar que fôssemos ganhar algumas horinhas de descanso. Mas muita gente também já devia estar com fome. Como já estava com a barriga roncando, nem vi motivos para reclamar do serviço de bordo começar meia hora após o avião ter levantado voo. Havia duas opções para o café-da-manhã: panqueca de bacon e omelete. Escolhi a segunda opção, que estava um pouco insossa. No cardápio de bebidas, além de café, sucos e refrigerantes, havia bebidas alcoólicas, como cerveja, vinho, rum, vodka e uísque.
Para os brasileiros, acostumados com a doçura das comissárias de bordo nacionais, a secura das panamenhas – que faziam beicinho para aqueles que insistiam em falar português – pode assustar um pouco. Apesar do sorriso congelado no rosto, a rudeza das mesmas fica clara à primeira insistência de alguém. Uma senhora, ao meu lado, quase perdeu a fome ao tomar como resposta um desagradável “no me amoles” após pedir mais um copo de refrigerante, enquanto a tripulante servia outro passageiro. Apesar de tudo, o serviço é rápido e ainda dá tempo de saborear uma balinha de caramelo antes de dormir.
A classe econômica não decepciona no nível de conforto: mantém-se naquele limite entre o apertado e o satisfatório, padrão na maioria das companhias aéreas. Deu para esticar as pernas (sem exageros) e a temperatura dentro da aeronave estava equilibrada. Na executiva, a situação é bem mais agradável: as poltronas são de couro e reclinam quase como uma cama.
A revista de bordo da companhia, a Panorama, com mais de 200 páginas, merece uma folheada. A publicação, com matérias em inglês e espanhol, tem boas reportagens e uma excelente abordagem sobre os acontecimentos culturais latino-americanos. Quem preferir assistir a um filme ou ver alguma programação de TV tem à disposição 12 canais de áudio e vídeo. Tudo em espanhol ou inglês. Nada a reclamar, afinal, para quem está indo para os Estados Unidos ou algum outro país das Américas, é bom saber que o português não vai ser ouvido tão cedo durante a viagem.
Eu – como a maioria dos demais passageiros – preferi dormir e fui acordado apenas com o início dos procedimentos de aterrissagem. Meia hora antes do horário previsto, o avião pousou no Aeroporto de Tocumén. O desembarque foi tranquilo. A equipe de terra da companhia providenciou suporte eficiente para todos que estavam em voos de conexão e também para aqueles que desembarcaram na capital panamenha. Hub de las Américas, lá vou eu...