O novo helicóptero da marca norte-americana voa alto em sofisticação, segurança e desempenho
Demorou três anos. Mas o S76D finalmente deixou a fase de desenvolvimento e, em fevereiro deste ano, alçou voo pela primeira vez. Isso significa que, em 2010, o novo Sikorsky começa a chegar às mãos dos compradores. A marca norte-americana vem com tudo para se manter na dianteira do mercado offshore, de apoio a plataformas de petróleo, além de consolidar posição como sonho de consumo vip.
Se as aeronaves Sikorsky mantêm a preferência dos operadores offshore devido a seu espaço e capacidade de carga, imagine a versão executiva. É uma verdadeira limusine de asas rotativas. Os modelos de luxo seduzem bilionários, celebridades e até chefes de estado. Entre os usuários da linha S76 está a família real inglesa. O helicóptero da rainha é um S76C++, adquirido em novembro de 2007.
Em que pese o grande desempenho e o design dos Sikorsky, o público vip se interessa mesmo pela beleza interior. E o S76D não desaponta nem o mais exigente dos passageiros. A cabine é customizável de acordo com as necessidades do proprietário. Empresários, por exemplo, podem transformar o helicóptero em uma extensão de seu escritório com telefone via satélite, antena de celular, tomadas para computador e telas de LCD para apresentações ou entretenimento.
O luxo padrão do modelo inclui poltronas de couro, painéis com acabamento em madeira, cabine pressurizada com ar-condicionado e oito saídas individuais e até um mini-bar, além de tratamento acústico para redução de ruídos. O pé-direito de 1,35 metro é um dos mais generosos da categoria.
A aeronave biturbina incorpora os aviônicos mais modernos do mercado. Isso significa voos com alto nível de segurança. O conjunto Thales TopDeck torna o helicóptero apto a viagens por instrumentos (IFR) com um piloto ou dois tripulantes. Os quatro painéis de LCD a cores de alta definição possibilitam a leitura e visualização de dados de navegação, plano de vôo, monitoramento dos equipamentos e mapas digitais.
O Traffic Collision Avoidance System (TCAS1) também pode ser incorporado ao sistema. Essa tecnologia funciona como um anjo da guarda aéreo: o TCAS monitora sinais de aeronaves próximas, avalia a distância (vertical e horizontal) e emite um aviso em caso de eventual perigo de colisão. A grande vedete da segurança, no entanto, atende por outra sigla: o Enhanced Ground Proximity Warning System (EGPWS). O equipamento une sensores e GPS para fazer uma leitura constante do terreno e da distância do aparelho ao solo. O computador de bordo analisa as informações e alerta os pilotos sobre aproximações de risco, além de mostrar em uma das telas de LCD imagens digitais dos obstáculos.
Em sua personalidade operacional, as melhorias do novo S76 vão impressionar os usuários de serviços. O novo par de turbinas Pratt & Whitney PW210S desenvolve 14% a mais de potência se comparada à motorização do modelo anterior, o S76C++. E, em termos de alcance, o modelo D ganha mais 7% de eficiência. São números que fazem diferença nas exigentes condições de trabalho de plataformas de petróleo - só para se ter uma idéia, a média de tempo de uso por aeronave da Petrobras em 2008 foi de 1.232 horas/ano ou 3,3, por dia.
De acordo com a fábrica, o S76D tem autonomia de 818 quilômetros. Com essa performance, vai de São Paulo a Vitória (ES) ou do Rio de Janeiro a Florianópolis (SC) sem abastecer. Na velocidade máxima de 287 km/h, a aeronave pode voar por quase três horas. Mas com um conforto digno da realeza a bordo, chegar rápido vai ser algo que os passageiros provavelmente nem vão desejar.