9 de setembro de 2010
 
Voar e proteger
13/7/2009 16:42:12 - Por Fábio Luís de Paula | Aviação em Revista

Feira anual do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola movimenta 5 milhões de dólares e organiza curso de combate a incêndios



Se comparássemos o agronegócio com um time de futebol, poderíamos dizer que a Aviação Agrícola é a linha de zaga. E é só olhar os números do setor para perceber a importância dos beques aéreos para o nosso selecionado econômico: segunda maior potência mundial do setor, o Brasil conta com 46 milhões de hectares cultivados, que respondem, junto com a produção pecuária, por 33% do PIB nacional. A maioria desconhece, mas a missão desses zagueiros celestes vai muito além de zelar pelo bem-estar das plantações. Pilotos e aeronaves ajudam a apagar incêndios, a combater vetores de doenças, como o mosquito da dengue, e a semear áreas extensas, entre muitas outras aplicações. Todos esses temas fazem parte do Congresso Nacional de Aviação Agrícola, o principal evento do segmento aeronáutico, que será realizado de 17 a 19 de junho em Cuiabá, capital do Mato Grosso.
A 11ª edição da feira ocorre dessa vez em uma das cidades mais importantes da região central do País. "Procuramos sempre fazer o Congresso em uma região diferente do Brasil, para diversificar as opiniões e atingir a todos os profissionais do setor. Já fizemos nos últimos anos no Sul e no Sudeste, e agora será no Centro-Oeste", explica Júlio Kämps, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), responsável pelo evento. A escola é estratégica: de acordo com a entidade, a região Centro-Oeste reúne a maior frota de aviões agrícolas do Brasi, ou seja, nada menos que 30% das 1.400 aeronaves existentes no território nacional. "Além disso, a busca por diferentes opiniões enriquece o setor e incita a busca de soluções cada vez mais práticas", acrescenta Kämps.

Estrutura
O Congresso do Sindag terá duas áreas: a exposição, com estandes de empresas e fornecedores, e o setor cultural, que vai centralizar as apresentações de pesquisas e as discussões fomentadas pelos órgãos reguladores, entre os quais o Ministério da Agrcicultura e a Anac (Associação Nacional da Aviação Civil). O meio-ambiente vai pautar todos os assuntos em pauta. "Temos cerca de 40 expositores confirmados. Na feira poderemos ver quais produtos estão sendo lançados no mercado, novos equipamentos e tendências em tecnologia", conta o presidente do sindicato. Na lista de companhias que já garantiram presença está a Embraer, além de fabricantes e fornecedores norte-americanos e de outros países.
O Sindag estima receber 800 profissionais da área, entre empresários, pilotos, mecânicos, técnicos agrícolas, agrônomos, fazendeiros e autoridades nos três dias de congresso. Para a entidade, o evento estimula os envolvidos no segmento a desenvolver a atividade com mais técnica e fazer com que a aviação agrícola brasileira mantenha-se no patamar atual de crescimento, em torno de 5% ao ano. De acordo com o sindicato, estima-se que a feira movimente US$ 5 milhões.
Neste ano, os temas do Congresso serão focados em Prática, Legislação e Segurança. Os assuntos ligados à Prática vão debater a utilização da aviação agrícola no combate a vetores de doenças, como o mosquito da dengue, da malária e da febre amarela. "Há certa restrição do Ministério da Saúde em relação ao tema, mas o Sindag não vê problemas. Estamos fazendo um trabalho de pesquisa experimental, em parceria com a Embrapa, para tentar codificar e avaliar ações do tipo", comenta o presidente da entidade.
Em Legislação, os temas se relacionam à unificação de leis no âmbito do Mercosul. A principal discussão gira em torno de renovação e retificação da RBH 137, que consta no portfólio da Anac. "Todos os anos participamos do Congresso de Aviação Agrícola do Mercosul, que este ano será na Argentina, ano que vem no Uruguai e em 2011 no Brasil. E a proposta é planificar todas as legislações do setor no Mercosul e expandir isso para a América do Sul, tornando algo unificado trazendo mais facilidade e oportunidades no dia-a-dia da prática.”
Na área de Segurança, entra em cena o combate a incêndios, uma atividade recorrente no cotidiano dos pilotos. Por isso, o Sindag resolveu promover, como prévia do Congresso, de 13 a 16 de junho, um curso para qualificação de pilotos nessa especialização. Segundo Kämps, essa é a grande novidade desse ano. "Fogo em áreas florestais, como reservas, podem acontecer eventualmente. E mesmo que a empresa ou o piloto não tenham sido contratados por alguém para esse trabalho específico, precisa saber como lidar com essa situação, até porque é algo que pode prejudicá-lo seriamente e atentar contra sua própria vida", afirma.


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