Em sua 7ª edição, a Latin America Aero & Defense se consolida como mais importante feira de defesa do País e serve como palco para o anúncio de contratos bilionários de modernização das Forças Armadas brasileiras
A aviação monopolizou os holofotes na 7ª edição da Latin America Aero & Defense (Laad 2009), realizada no início de abril no Riocentro, no Rio de Janeiro. Durante o evento só o que se comentavam eram os projetos de modernização das frotas da FAB e da Marinha. A começar pela expectativa de se ver frente a frente os supersônicos do programa F-X2, Saab Gripen, Dassault Rafale e Boeing F-18 Super Hornet. Mas, como as aeronaves não representavam exatamente uma novidade, quem roubou a cena foram os helicópteros, o projeto do KC-390 (ver reportagem na página 44) e o plano de modernização dos caças navais AF-1 e AF-1A.
O evento serviu como palco para a assinatura de um grande pacote de encomendas das Forças Armadas junto à Embraer. O contrato de US$ 1,5 bilhão firmado entre governo federal e a fabricante brasileira prevê o desenvolvimento do KC-390, um avião a jato para transporte de cargas e tropas, e a modernização de caças da Marinha. A elite militar do País compareceu em peso à Laad: a feira foi aberta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e pelos comandantes da Marinha, Almirante Julio Soares de Moura Neto, da Aeronáutica, Brigadeiro Juniti Saito, e do Exército, General Enzo Martins Peri.
Na avaliação do ministro Jobim, as novidades anunciadas durante o evento mostram a direção na qual o setor deve tomar: o Brasil quer ser mais do que apenas um comprador de material de defesa. “Vamos ser parceiro dos demais países produtores de tecnologia. Já firmamos com a França parcerias para a produção de um submarino nuclear, a construção de helicópteros EC-725 de última geração (serão 50 ao todo), e queremos desenvolver veículos não tripulados para as três forças”, afirmou.
Uma das grandes vedetes da Laad 2009 foram os helicópteros Mi-35, da Russian Helicopters. A FAB comprou 12 unidades do helicóptero de ataque Mi-35 no final do ano passado e a expectativa em torno da apresentação das aeronaves também era grande. As primeiras unidades deverão ser entregues já em 2010. O valor do contrato firmado pelo governo federal com a indústria russa é estimado em U$ 400 milhões.
Para ganhar a licitação no ano passado, o biturbina multifuncional Mi-35 teve de superar concorrentes como Augusta A-129 Mangusta e o Eurocopter AS-665 Tiger. As Forças Armadas do Brasil também pensam em adquirir helicópteros Mi-171SH. O objetivo é equipar a FAB com verdadeiros tanques blindados aéreo, destinados à vigilância da Amazônia, em conjunto com os HM-2 Black Hawk, fabricados pela Sikorsky, dos Estados Unidos.
Os novos helicópteros devem complementar o trabalho dos A-29 na abordagem de traficantes nas fronteiras. Tanto o Mi-171SH quanto o Mi-35 são versões atualizadas de dois clássicos da aviação soviética, o Mi-8 “Hip” (Mi-171SH) e Mi-24 “Hind” (Mi-35). A vantagem do Mi-35 é a flexibilidade: pode transportar até oito soldados, além de lançar mísseis e foguetes.
No evento, as três empresas que participam da licitação para o projeto F-X2, da FAB, também tiveram a chance de apresentar suas aeronaves. O programa consiste, em um primeiro momento, na aquisição, por U$ 2 bilhões, de 36 caças de última geração que devem ser escolhidos entre três marcas pré-selecionadas: a Boeing, com o F/18 Super Hornet, a Saab, com o Gripen NG, e a Dassault, com o Rafale. As aeronaves produzidas por essas empresas foram avaliadas, durante o evento, pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e até pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado da licitação sai em agosto.
As 36 aeronaves compõem um primeiro lote, que deve ser entregue a partir de 2014, para substituir os atuais Mirage 2000, F-5M e A-1M nos próximos 15 anos. O número de pedidos ainda pode ser elevado para 100 unidades.