Helibras investe pesado na linha de montagem do helicóptero militar, mas já mira os segmentos offshore e executivo com o EC 225, a versão civil do EC 725
No ano da França no Brasil, quem faz a festa de verdade são os negócios. Os contratos econômicos assumem o lugar da cultura e da gastronomia como vedetes dessa comemoração – há acordos firmados pelos dois países em áreas, como desenvolvimento de submarinos, navios, mísseis e aviões. Um dos principais desses acertos atende pelas siglas EC 725 e EC 225. São as versões de combate e civil de um dos maiores helicópteros da francesa Eurocopter. As Forças Armadas vão adquirir um lote inicial de 50 aeronaves ao custo de 1,9 bilhão de euros ou 5,5 bilhões de reais. Os militares vão dividir o bolo em partes iguais: serão 16 unidades para a Marinha, 16 para o Exército e 18 para a Força Aérea.
Para atender ao pedido, a Helibras, representante da marca no país e única fabricante brasileira de helicópteros, pretende investir 350 milhões de dólares ou 770 milhões de reais em uma nova planta em Itajubá (MG). Em um hangar de 10 mil m2, será feita a montagem final dos equipamentos. As primeiras unidades devem ser entregues já 2010. Quando as Forças Armadas receberem todos os EC 725, o Brasil se tornará o maior operador do mundo desse modelo.
O helicóptero tem como principal função o transporte de tropas. Na versão militar pode levar até 29 combatentes, além de dois pilotos. As duas turbinas Turbomeca Makila 2A, de 2.110 shp cada, ou as 1A4, de 2.413 shp cada, são equipadas com Fadec (Full Authority Digital Engine Control) de canal duplo, que garante a melhor eficiência e confiabilidade dos motores em condições tão diversas quanto baixas temperaturas ou ventos fortes. Com tal força à disposição, o EC 725 consegue decolar com um peso máximo de 11,2 mil kg. Desse total, a carga útil representa a metade: 5.670 kg.
Apesar de seu perfil peso-pesado, a aeronave vai longe. Alcança até 857 quilômetros de distância. Ou seja, o helicóptero pode ir de São Paulo a Goiânia ou a Porto Alegre sem abastecer ou ainda fazer um bate e volta da capital paulista até o Rio de Janeiro ou Curitiba se estiver de tanques cheios.
A velocidade máxima também impressiona: chega a 324 km/h. Em cruzeiro, voa a 285 km/h. Isso significa que levaria 1h15 para cumprir os 360 quilômetros via aérea entre as capitais paulista e fluminense ou 2h50 para sair de São Paulo e pousar em Goiânia, a 810 quilômetros de distância pelo ar.
O EC 725 deriva dos famosos Eurocopter AS 332 Super Puma/AS 532 Cougar usados por forças armadas de vários países, entre os quais o Brasil. Mais vai muito além: incorpora novo desenho, maior capacidade de transporte, alcance e velocidade, rotor de cinco pás feito de material composto e com formato específico para diminuir as vibrações, motorização mais moderna, além de glass cockpit, com aviônicos de última geração e seis displays de LCD que substituem os indicadores analógicos. Em modo combate, a aeronave pode desempenhar funções de anti-submarino, se equipado com sonar e torpedos, ou ataques aéreos ar-terra, quando traz na configuração de armamentos mísseis, canhões e metralhadoras. Devido ao espaço e capacidade de carga, o EC 725 também é muito utilizado em missões de resgate e evacuamento de pessoas em áreas de perigo.
A versão civil, o EC 225, beneficia-se das características de performance e da grande área da cabine. Na configuração vip, transporta com o conforto de uma limusine de 8 a 12 passageiros. Se adotado o perfil offshore, para uso em plataformas de petróleo, o helicóptero pode levar de 19 a 25 pessoas. O luxo executivo pode incluir mesas dobráveis, poltronas de couro, ar-condicionado com saídas individuais e estação de entretenimento e trabalho.