9 de setembro de 2010
 
O futuro é verde
13/7/2009 18:19:49 - Por Felipe Prestes | Aviação em Revista




A corrida por combustíveis de fontes renováveis já começou e o Brasil tem grandes chances de vencê-la

Os aviões do futuro vão usar combustíveis derivados de frutos, sementes e até de algas. E se você imagina que essa descrição se trata de um exercício de adivinhação, está muito enganado. Nos últimos anos, pesquisas e testes práticos vêm sendo levados adiantes com sucesso. E não estamos falando de pequenos monomotores, mas sim de Boeings 747 e 737. Aeronaves da Virgin, da Continental e da Air New Zealand já voaram com pelo menos um motor alimentado por compostos extraídos de coco, babaçu, algas e pinhão-manso. 
   
“A ‘green energy’ é inevitável para a aviação”, avalia Respício Espírito Santo, presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e de Políticas Públicas em Transporte Aéreo. Se a melhor opção para o futuro for mesmo esta, o Brasil desponta como potência energética, uma vez que é grande produtor desse tipo de matéria-prima e pioneiro em pesquisas como a que desenvolveu o biodiesel. Inventor desse combustível, o pesquisador Expedito Parente é fundador da TecBio, que desenvolve no Ceará, desde 2006, o bioquerosene para aviação, em parceria com a Embraer e com a Boeing, que participam em etapas diferentes da pesquisa. Essa fonte de energia provém de uma mistura de óleos vegetais que os cearenses já vinham desenvolvendo na década de 1980, com recursos da Aeronáutica, em projeto que, no entanto, foi abortado.

“Dentre todo a ciclo de vida, da produção até a fase de uso, nosso produto é o que apresenta nível mais baixo de emissão de CO2, dos estudos que se conhece mundialmente”, afirma Ayres Correa de Souza Filho, pesquisador da TecBio. O bioquerosene está em fase de programação dos primeiros voos-testes. Serão feitos testes com motores, antes dos primeiros voos.

O projeto é voltado para a aviação comercial e já há uma empresa brasileira interessada em realizar os testes. O nome da companhia, e de outras parceiras, ainda não pode ser divulgada, bem como a matéria-prima utilizada. Porém, Ayres garante que uma das grandes restrições dos ambientalistas quanto aos biocombustíveis não será problema. “O bioquerosene é um combustível de terceira geração, ou seja, não compete com alimentos. Pelo contrário, desenvolvemos um sistema integrado que estimula a produção deles”.

Alternativas espalhadas pelo globo
Em 2008, o Airbus A380 foi o primeiro avião comercial a voar com combustível alternativo. O GTL Jet Fuel foi desenvolvido pela Shell, em parceria com a Airbus e mais um consórcio de empresas. O GTL poderia ser produzido a partir de qualquer hidrocarboneto, como gás natural e matéria extraída de vegetais.

Também em 2008, um Boeing 747-400 da Virgin Atlantic havia realizado o primeiro voo ecológico de que se tem conhecimento. No voo de 500 quilômetros, sem passageiros, utilizou quatro motores, dentre os quais, um movido a combustível de origem vegetal. A empresa acredita que em cerca de uma década poderá utilizar em larga escala o produto.

O combustível teria sido extraído de babaçu e coco. Mais pontos para o Brasil, que tem potencial para produzir estes frutos, se a produção não prejudicar a de alimentos. Respício Espírito Santo acredita que é possível conciliar as duas atividades. “Não é a área na qual sou especialista, mas se Israel planta tomates no deserto e há plantações de uva na Bahia, é por que há terras o suficiente. Basta dispor de recursos e vontade para fazer”, opina. Pontos para o País também por que a Neiva, empresa subsidiária da Embraer, fabrica desde 2005 a aeronave agrícola Ipanema movida a álcool. O etanol é de duas a três vezes mais barato que a gasolina de aviação e pode prolongar o ciclo de manutenção do motor.

Pelo mundo, várias alternativas vêm sendo testadas. Nos Estados Unidos, a Continental Airlines realizou voo de duas horas com combustível feito de algas e pinhão-manso em um Boeing 737 sendo este o primeiro teste com biocombustíveis em um jato bimotor. A Air New Zealand testou um quadrimotor Boeing 747, no qual um dos motores tinha 50% de biocombustíveis.

A empresa sul-africana Sasol utiliza há vários anos combustível semis-sintético para jatos, com 50% de petróleo e a mesma quantidade de carvão. Esta iniciativa reduz a emissão de enxofre, mas aumenta a de CO2. “Acredito que combustíveis a base de gás, ou de carvão serão utilizados apenas para emergências. Os combustíveis verdes parecem melhor opção”, opina Espírito Santo.


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